Neve no Brasil chega trazendo mortes e prejuízos, podendo ser indicativa de um novo padrão atmosférico, de extremos climáticos, consequência inequívoca do aquecimento global
Prevenir o desmatamento na Amazônia é maneira mais eficaz de se minimizar o dano ambiental futuro
Em uma situação totalmente inusitada, boa parte da população brasileira entrou em contato direto com a realidade das mudanças climáticas nesta terceira semana de julho, sentindo literalmente na pele as suas consequências. Nos tempos atuais, podemos dizer que nunca antes na história deste país se viu tanta neve despencando.
No Rio Grande do Sul um homem faleceu de hipotermia em função das baixas temperaturas. Nas estradas da região Sul pelo menos duas pessoas foram vitimas de acidentes fatais causados pelo gelo sobre o asfalto. Construções foram afetadas pelo excesso de neve nas coberturas. Os prejuízos serão sentidos também na agricultura, com redução nas produtividades de lavouras anuais e perenes, podendo chegar a perda até a cem por cento da produção, no caso de geadas extremas localizadas.
Uma coisa é ouvir falar de mudanças climáticas, outra, totalmente diferente, é vivenciar isto presencialmente. Para mais de uma geração ver tal quantidade de neve cair no país é algo absolutamente inédito. Talvez muitas pessoas, provavelmente a maioria delas, não tenha ainda alcançado a percepção do que o aquecimento global e as mudanças climáticas irão causar ao planeta nas próximas décadas.
Logicamente que o ser humano, e a própria humanidade, serão diretamente afetados pelas mudanças e catástrofes climáticas que certamente acontecerão. Cada ser humano, individualmente e sem exceção, será de alguma forma afetado pela mudança no clima, porém os menos favorecidos serão os mais atingidos, por estarem mais vulneráveis e terem menos reservas.
Ainda que os efeitos sobre os humanos não sejam diretos, como os causados por inundações ou ventanias extremas, os efeitos serão sentidos através da influencia que as mudanças climáticas terão sobre a economia e as empresas.
Em um país onde a economia primária, base do sistema produtivo, é fortemente dependente das condições do clima e tem fundamental importância na geração de empregos, no saldo da balança comercial e na sustentação das economias secundária e terciária, é no mínimo razoável admitir a probabilidade de turbulências econômicas e sociais em função das alterações climáticas, sejam elas variações nas temperaturas e precipitações ou prolongamento de estiagens.
Mas se as mudanças climáticas são um fato, e se podemos esperar a médio e longo prazo, com uma boa chance de acerto, uma instabilidade ainda maior no clima, a pergunta é: o que efetivamente pode ser feito para que sejam minimizados os efeitos das mudanças climáticas?
Certamente que esta é questão importante e que deve ser vista pelo governo e pela sociedade com muita atenção, pois nas respostas que forem encontradas poderá estar a diferença para muitas pessoas, seja entre a vida e a morte ou entre o fracasso e o sucesso financeiro, comercial e/ou profissional, para não falar dos efeitos sobre o país como um todo.
É certo que muito já vem se discutindo sobre este tema, porém em um momento onde importantes questões estão sendo revistas pela sociedade brasileira, uma em especial, fundamental para o futuro da nação, está sendo deixada de lado: a devastação da Floresta Amazônica.
Os estragos causados pela recente mudança no Código Florestal e pela não proibição em definitivo de novos desmatamentos na Amazônia contribuíram significativamente para o aumento das taxas de supressão florestal na região, que aumentaram substancialmente de 2012 para 2013.
Prevenir em larga escala a ocorrência de novos desmatamentos é a maneira mais eficaz e econômica de se minimizar os efeitos das mudanças climáticas e os danos ambientais futuros.
Desde que a possibilidade de acesso, extremamente potencializada pela abertura e pavimentação de novas rodovias, é o principal facilitador de novos desmatamentos na Amazônia, é de fundamental importância para o Brasil e para a população brasileira que o Governo Federal reveja sua política de desenvolvimento e ocupação na região norte do país.
A sociedade e o empresariado também devem estar atentos para este fato, seja cobrando dos atuais governantes as mudanças necessárias, seja escolhendo nas próximas eleições candidatos mais comprometidos com a questão ambiental.
Associação Preserve Amazônia 24 julho 2013
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