Grupos
convocam atos anticorrupção e defendem militares
Amanhã,
haverá mais 2 protestos em São Paulo; para a organizadora Carla Zambelli, não há
mais direita e esquerda
25 de
junho de 2013 | 2h 04
Em
diversos eventos pulverizados pelo Facebook, grupos que não se intitulam "nem de
direita nem de esquerda" convocam atos anticorrupção em várias cidades
brasileiras. Alguns defendem a volta das Forças Armadas ao comando do País e
todos clamam pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), além de serem
contra "qualquer bandeira" fora a brasileira em protestos.
Embora
partam de comunidades distintas nas redes sociais, as lideranças formam grupos
afins, que divulgam os eventos uns dos outros. A página do Facebook nasruas,
moderada pela ativista Carla Zambelli, funciona como âncora para espalhar atos
de várias organizações.
Em São
Paulo, por exemplo, para o mesmo horário e local (17 horas de amanhã, em frente
ao Masp) estão marcados os atos Por Um Brasil Melhor e Menos Corrupto e
Reconstruindo o Brasil - este último organizado pela Organização de Combate à
Corrupção (OCC), que defende a volta do militarismo.
"Roubamos
a pauta porque o Movimento Passe Livre tem um tema muito restrito, que não nos
representa. Eles insistem em dizer que o tema é reforma agrária e mobilidade,
mas o povo brasileiro provou que a luta é contra corrupção. No protesto de
quinta, ninguém tinha cartaz de reforma agrária", diz Carla. "Só 'petralha' para
dizer que o movimento anticorrupção é 'vago'. Se não for pelo amor é pela dor, a
gente quer parar o Brasil mesmo."
Carla
defende que "não existe direita e esquerda mais, mas o que é bom e o que é
ruim". Diz não defender a ditadura militar, mas faz ressalvas. "Talvez eles
(grupos que defendem o militarismo) estejam certos em dizer que Forças Armadas
tenham de tomar conta. A gente quer que os fichas-sujas saiam do Senado e do
Congresso. Mas como tirá-los? Não há demissão. Então a Comissão de Ética tem de
entrar, ou as Forças Armadas tirá-los dali", diz.
"Mas eu
acho que não precisa ser as Forças Armadas, pode ser o próprio
povo."
Para o
fundador do Revoltados Online - que também convoca as manifestações
anticorrupção -, Marcello Reis, "não é o momento" de falar se o grupo é contra
ou a favor do militarismo. "Não achamos que agora há necessidade de falar isso.
Não é que nós somos contra ou a favor (da intervenção armada). Se for
necessário, sim."
Reis
acredita que uma alternativa ao regime militar é a redução dos partidos a cinco
- dois de direita, dois de esquerda e um de centro. "Temos mais de 40 partidos,
mas não temos 40 ideologias. Uma solução imediata, se houvesse o impeachment da
Dilma, seria deixar o Joaquim Barbosa por seis meses como presidente até que
fossem convocadas novas eleições, das quais só participariam partidos
fichas-limpas."
Sem
bandeiras. Carla,
que também mantém o Movimento Pátria Minha, é a favor de que se queimem "todas
as bandeiras que aparecerem em manifestação". "Se aparecer com a bandeira do
PSDB vamos queimar do mesmo jeito. Mas peraí, PT, você é um dos principais
culpados da manifestação! Que vá com a camiseta do
Brasil."
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