domingo, 30 de junho de 2013

Pesquisa do Exército na área de Carbono pode revolucionar a indústria automobilística!

··      O Exército Brasileiro desenvolveu pesquisa de tecnologia para a produção de fibra de carbono a partir do piche de petróleo que dá ao Brasil a possibilidade de ser o primeiro país do mundo a produzir comercialmente esse material, com aplicação na indústria automobilística. Os estudos foram realizados no Núcleo de Competência para o Desenvolvimento de Tecnologia de Carbono (NCDTC) do Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em parceria com o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras.

A pesquisa será apresentada no Congresso Mundial de Pesquisadores da Área de Carbono (CARBON 2013), promovido entre os dias 15 e 19 de julho, no Rio de Janeiro. A fibra de carbono de piche de alta condutividade térmica e elétrica e alta resistência mecânica só é produzida comercialmente no Japão e nos EUA. No entanto, a matéria-prima utilizada por estes países são o piche de alcatrão ou o piche sintético (produzido a partir de substâncias químicas puras). No CTEx, o material foi desenvolvido a partir dos derivados do petróleo conhecidos como o “fundo do barril de petróleo”, a fração mais pesada e sem mercado significativo.

Aplicada inicialmente nos carros da Fórmula-1, a fibra de carbono só é usada atualmente em carros de alto luxo ou desempenho, já que o alto custo do material inviabiliza a sua utilização em larga escala. Porém, o material pode ser a solução para diminuir o peso dos carros, substituindo as peças de aço. Essa redução contribuiria para o aumento da eficiência energética dos carros, atendendo a normas mais rígidas de controle de emissão de poluentes, uma tendência especialmente na Comunidade Europeia.

As propriedades mecânicas das fibras de carbono que estão sendo desenvolvidas a partir de piche de petróleo no CTEx, com o apoio da Petrobras, excedem os requisitos da indústria automobilística. O custo do material ainda não pode ser avaliado com exatidão, já que a produção ainda está em escala semi-industrial. A estimativa, porém, é de que a fibra de carbono brasileira custe entre US$ 10 a US$ 15 por quilo, valor que se enquadra nos parâmetros de viabilidade econômica da indústria automobilística. Hoje, a fibra negociada internacionalmente custa entre US$ 50 e mais de US$ 1000 por quilo, dependendo do tipo e especificação.

CTEx pesquisa materiais de carbono há mais de 30 anos

O CTEx realiza pesquisa em materiais de carbono desde a década de 1980. Em 2003, o CTEx e o Cenpes iniciaram uma parceria para o desenvolvimento de novas tecnologias na área, aliando a infraestrutura e experiência técnica existente no CTEx ao potencial de obtenção de materiais especiais de carbono a partir de frações pesadas de menor valor do petróleo. O NCDTC dispõe hoje de 9.000 metros quadrados de instalações de produção e laboratórios de análise, equipamentos de ponta e mão de obra altamente qualificada. Essa estrutura possibilitou o desenvolvimento de pelo menos seis produtos novos, sendo um deles a fibra de carbono do piche de petróleo

Nenhum comentário:

Postar um comentário