Semiárido Brasileiro –
Alternativas
Democratização da Água
Resumo
Compreender o semiárido brasileiro consiste em
reconhecê-lo como sócio sistema com características únicas, especificidades. Constitui-se
em uma das regiões mais pobres do país em termos de recursos hídricos e,
portanto, biológicos. Possui o mais baixo IDH (índice de desenvolvimento
humano) do país.
Com população de 22.598.318 (IBGE/10) compreendendo
12% da população brasileira, deste total cerca de 50% afetados pela seca total
e área de 969.589,4 km², equivalente ao estado de Mato Grosso ou Venezuela, abrange
1133 municípios em nove estados segundo Portaria Nº 1.181/05 assinada pelo
Ministro da Integração Nacional que instituiu a Nova Delimitação do Semiárido
Brasileiro.
Tal realidade exige planejamento específico,
moderno e arrojado quanto ao plano social e ambiental. Dentro da nova ordem
mundial já é notório que se tornou impossível criar e manter empregos para
todos. Novas conceituações precisam ser descobertas e aplicadas. Sustentabilidade
é a chave.
Existem diversos planos de desenvolvimento,
diferentes formulações, concepções e iniciativas gerais, porém não atentas à
preservação e aproveitamento da virtude do sócio sistema - Semiárido
Brasileiro.
Este texto trata de uma visão estratégica
apoiada nos pilares sociais, ambientais, econômicos e políticos, nesta ordem.
Uma ordem econômica social sustentável e justa preservando as particularidades
do sócio sistema. Um novo paradigma no que tange a auto sustentabilidade
regional.
O sertanejo valoriza a vida em família, a
sustentabilidade de sua pequena propriedade, razão de seu maior orgulho. Tal
valorização também é comum a regiões interioranas de alto nível de
desenvolvimento sócio cultural. É inerente ao “homem do campo”. Sabemos que em
diversas regiões do país, notadamente na região sul, famílias cujos integrantes
nunca foram empregados tem na atividade familiar rural, fabril e comercial seu
sustento, com muito sucesso. Este fato é muito anterior aos modernos conceitos,
decorre do maior desenvolvimento cultural destas populações constituídas
notadamente por imigrantes europeus e nipônicos. Tais atividades
comprovadamente causam mínimo impacto sobre o meio-ambiente não sendo
necessário superexplorar o meio ou recorrer a práticas predatórias.
A atividade rural
familiar não é destrutiva.
Política Atual
Na atual concepção de megaprojetos o estimulo a
criação e desenvolvimento de cidades é contra a característica regional, a
cultural local, além de, paradoxalmente, promover exclusão social, desmatamento,
poluição, salinização e evapotranspiração, os maiores desafios ao
desenvolvimento da região.
O crescimento das cidades, o aumento da pecuária
e a exploração madeireira são fatores que aumentaram a fragmentação da
cobertura florestal na caatinga. O avanço do desmatamento está intrinsecamente
ligado a esses fatores e políticas públicas que favoreçam a educação, o desenvolvimento
sustentável e uma maior conservação desse ecossistema deveriam ser priorizadas.
Estima-se que cerca de 70% da caatinga já se
encontram alterados pelo homem, e somente 0,28% de sua área se encontra
protegida em forma de unidades de conservação. (ARAÚJO, 2007)
O semiárido brasileiro apresenta situações mais
difíceis de serem superadas do que outras regiões semiáridas do mundo. Solos
rasos e rochas aflorantes comprometem a existência de aquíferos, sua renovação
e qualidade; temperaturas elevadas conduzem a altas taxas de evaporação; poucos
rios perenes e concentração populacional das mais altas entre os semiáridos do
mundo geram pressões excessivas sobre os recursos hídricos. A região apresenta,
até a década de 1990, um histórico de políticas públicas equivocadas, quando
não ausentes, calcadas especialmente na implantação de pequenos reservatórios
altamente vulneráveis às estiagens e perfuração de poços no cristalino cuja
vazão é baixa e os processos de dessalinização são ainda caros e de complexa
operação. Aliada a esses equívocos, a falta de gestão das águas foi a tônica da
manutenção do quadro regional crítico a cada seca. Como forma de aliviar o
sofrimento das populações desassistidas, as soluções de sempre: carros-pipa
para transporte de água e frentes de trabalho. Em síntese, medidas puramente
paliativas. (CIRILO, 2011)
Os programas atuais, em prática, impressionam
por sua diversificação e simultaneidade. Sabemos que a natureza não dá saltos,
assim como as sociedades. O processo de desenvolvimento social sempre é lento e
gradual.
Desde o século 19 projetos os mais variados foram
implementados sem resultado justamente por não terem como cerne o elemento
principal. O ser humano e idealização social. A famosa frase do Imperador Dom
Pedro II “Venderei até a ultima pedra de minha coroa para que nunca mais um
nordestino morra de sede” demostra que a solução não é tanto uma questão de
investimento capital, mas sim, de estratégia.
Foram idealizados modelos de desenvolvimento
comuns aos grandes centros que geralmente são susceptíveis a desigualdades e
inconclusão. Tais modelos trazem alienação e marginalização ao contexto social,
fenômenos comuns aos superpopulosos centros industriais. O semiárido não
precisa de empregos. Empregar o capital
nacional no desenvolvimento de grandes centros produtivos concentradores de
renda e oportunidades, dependentes de subsídios e financiamentos que se tornam
destruidores do ecossistema e geradores de mazelas sociais não é política
acertada.
O “Boia-fria” continuará existindo, pois
precisará se locomover até as “Frentes de Trabalho”, os grandes centros de
produção sazonal. Muitos permanecerão nas áreas de maior expectativa de
desenvolvimento promovendo subdesenvolvimento social, ocupação irregular e escassez
de serviços públicos a exemplo o ocorrido nas capitais do sudeste e distrito
federal nos anos 1960.
O modelo familiar tradicional onde apenas o
chefe de família trabalha e o restante da família sobrevive de seu rendimento
já é superado nas sociedades mais avançadas.
Quanto as estratégias atuais podemos concluir
que os programas em curso se mostram inapropriados:
•
quase nula eficiência dos sistemas de coleta de
chuva, pelo simples fato que não ha chuva;
•
as cisternas são paliativo, armazenam água
impropria para consumo e insuficiente para manutenção de grupos familiares, e
dependem dos carros pipa;
•
carros pipa em sua maioria já deteriorados pelo
uso contínuo;
•
projetos de irrigação são caros e direcionados a
grandes produtores;
•
pouco incentivo a avanços tecnológicos, como a
hidroponia com reaproveitamento da água, por exemplo;
•
pela carência de ventos, qualquer atividade
industrial de grande porte se tornará extremamente poluente;
•
grandes “plantations” irrigados para produção de
metanol e biodiesel e produtos para exportação;
•
o planejamento parte de grandes projetos como:
aquedutos, ferrovias, estradas, mineração, latifúndios, parques industriais
dependentes de financiamentos e subsídios governamentais e aporte de capital
estrangeiro;
O Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome – MDS - divulgou balanço da aplicação de recurso
extraordinário liberado em abril/12 pela União demostrando que somente em 2012,
até o momento foram investidos: R$ 799 milhões Construção de Cisternas (mais 290
mil até dezembro); R$ 164,4 milhões Caminhões Pipa (3360); R$ 500 milhões Plano
Garantia Safra; R$ 200 milhões Bolsa Estiagem;
R$ 60 milhões Recuperação de
Poços; R$ 1 bilhão Linha Crédito Emergencial; ainda não demostrado o destinado
ao Programa Milho Subsidiado (CONAB);
Dentro do Regime Orçamentário
da União foram ainda disponibilizados: R$ 8 bilhões Transposição do Rio São
Francisco; R$ 242 milhões para Pernambuco do total de 1,8 bilhão de
investimentos; O Ministério da Integração Nacional - MI vai disponibilizar R$
1,06 bilhão em 33 empreendimentos; O Ministério das Cidades – MCidades - R$
656,2 milhões para 22 obras; A Fundação Nacional da Saúde – Funasa - R$ 108
milhões para mais 22 obras; O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – para
a Bahia (R$ 454,9 milhões), Piauí (R$ 307,5 milhões) e Pernambuco (R$ 242
milhões) em programas de prevenção da seca. Esta é a primeira parte de uma
lista que prevê investimento total de R$ 3 bilhões em prevenção contra a seca.
Ainda em Verbas Estaduais o Estado da Bahia R$100 milhões para diversas
entidades locais.
É compreendido que a transposição do Rio São
Francisco é vantajosa economicamente em relação às usinas de dessalinização,
mas não houve visão estratégica quanto a realização dado as variáveis
históricas comuns as grandes obras na região e em outras partes do país. Porém
estes projetos como alternativa começam a causar danos em ecossistemas e a redução
de fluxo em outras bacias e hidroelétricas poderá tornar crítico a geração de
energia e a manutenção de sistemas produtivos como atividades pesqueiras na foz
do São Francisco.
Nesta nova era de transformações e variações
climáticas, a inconstância de chuvas em determinada região outrora de adequado
índice pluviométrico poderá trazer graves problemas e perda de vultosos
investimentos.
O programa Mais
Irrigação, lançado recentemente, naturalmente tem sua dicotomia. Investimentos
internacionais da ordem de R$ 10 bilhões incentivam a dependência regional
através do investimento internacional em plantations para produção de biodiesel.
Investimentos na área
turística também foram anunciados, porem é sabido que investimentos em turismo
são o último investimento que uma nação deve fazer devido a sua sazonalidade,
subsídios necessários e empréstimos de alto risco envolvidos além de expor um grupo
social menos desenvolvido a outro, mais desenvolvido.
Democratização da Água
O Plano de Desenvolvimento Social do Semiárido
Brasileiro deverá ter como ponto de partida seu centro regional, seu epicentro,
e não a região ciliar. Tentar agregar o semiárido ás cidades trará a
inconclusão de metas, tal como ocorre na periferia das grandes cidades
brasileiras. Da escassez de água passaremos a escassez de uma série de outros
recursos comuns aos grandes centros urbanos.
Para elaborar uma boa política, é importante que
se entenda a particularidade das soluções. Não se pode imaginar que grandes
canais e adutoras irão abastecer as populações rurais difusas, exceto aquelas
próximas ao traçado das obras. Portanto, cisternas, pequenos reservatórios,
poços, dessalinizadores devem ter seu uso ampliado e melhorado, particularmente
no que tange à sua operação e manutenção. Pequenos açudes e barragens
subterrâneas devem, onde for adequado, ser empregados para fomentar a agricultura
familiar. A criação de mais reservatórios (açudes) e linhas de renovação
constante da água e o incentivo a piscicultura nestes reservatórios é fonte
importante de alimentação e renda.
Dado o mais baixo Índice de Desenvolvimento
Humano da nação, um plano de desenvolvimento deverá partir da seguinte
diretriz: educação, saúde, energia e comunidade participativa, enraizando os
conceitos e valores de evolução consciente.
•
erradicação do analfabetismo;
•
programas de educação geral e ambiental, inclusão
social e cidadania;
•
programas de apoio a micro e pequenos
empresários ligados a atividades artesanais; industriais e de serviços;
•
programas de reforma agrária e ordenamento
territorial;
•
instituição do sistema construtivo modular como
solução rápida para a questão da moradia e equipamentos públicos;
•
viabilização de atividades econômicas dinâmicas
e inovadoras geradoras de riqueza familiar através da constituição e
operacionalização de serviços de assistência técnica a agricultores familiares
e suas organizações;
•
fomento a atividades produtivas compatíveis com
o uso e formação sustentável dos recursos naturais e a preservação dos biomas;
•
produtos nativos, característicos do ecossistema
e portanto mais resistentes ao clima local destinados ao consumo interno;
•
gradual descomprometimento da nação com
programas assistenciais;
•
Programas de assentamentos rurais da reforma
agrária;
•
Constituição de associações de usuários da água,
comitês de bacias, etc.;
Quanto
a questão Exportação, podemos compreender que adaptar o semiárido para a
produção de culturas importadas, que demandam muito mais irrigação que as
culturas nativas a fim de exportação não é politica acertada.
Os
lucros sociais se darão pelo incremento do nível sócio cultural, manutenção do
homem em sua origem, o retorno ao campo daqueles que procuraram os grandes
centros e a desoneração do Estado em programas sociais. Apenas nos últimos dez
anos mais de um milhão de pessoas deixaram de viver no semiárido procurando as
grandes cidades. Esse dado reflete também que o
Brasil ainda está aquém de garantir as condições necessárias para a permanência
no campo, em especial no semiárido. Entre os principais elementos nesse
processo está a elevada concentração de terras e de água.
Temos consciência que uma sociedade não pode se
desenvolver economicamente sem que haja desenvolvimento social, propriamente
dito. Assim é de se esperar a redução das taxas de morbilidade e mortalidade
das populações afetadas, assim como a migração para locais com abastecimento
garantido.
A carência de água para consumo humano e usos
múltiplos afetam negativamente os níveis de saúde e restringe as oportunidades
de melhoria socioeconômica das comunidades dos espaços geográficos onde a
disponibilidade do recurso é reduzida. Esta situação, em muitos casos, é devida
ao caráter temporário dos mananciais e/ou a localização das fontes, exigindo
grandes esforços para acesso à quantidade mínima indispensável. Mas,
paradoxalmente, em outras situações, os recursos armazenados em reservatórios
nunca foram eficientemente utilizados pela inexistência de estruturas de captação,
transporte e distribuição. (CIRILO, 2011)
Nos últimos anos programas governamentais como
Bolsa Família e P1MC tem contribuído para a redução destes números.
Em forma prática, podemos considerar que a
construção de uma rede de transporte de água não pressurizada e de baixa vazão em
grandes extensões é bastante acessível e capaz de resolver definitivamente a
questão de abastecimento em microrregiões. Por seu custo acessível seus pontos
de coleta poderão ser distantes e variados, não onerando as bacias existentes.
Sistemas de manutenção e reposição serão bastante acessíveis, dado o baixo
custo modular.
O abastecimento constante dos açudes e seu
tratamento ciliar assim como a criação de mais açudes serão excelente solução.
Quantos proprietários estão francamente abertos à escavação de açudes assim
como sua renovação constante, ininterrupta, por uma rede de baixa vazão.
Explico que uma rede de baixa vazão compreende
uma tubulação simples, não pressurizada, capaz de prover 50000 litros/dia, por
exemplo. Devem-se abordar soluções que venham a resolver o suprimento a
comunidades difusas através de tecnologias alternativas, de baixo custo e fácil
acesso da população.
Ora, se construímos o Gasoduto Brasil-Bolívia ao
custo de R$ 1,270 milhão por kilometro, estrutura sofisticada e cara para
transporte de gás pressurizado, podemos imediatamente construir redes de transporte
de água não pressurizada em grandes extensões. Estas adutoras permitirão
sistemas paralelos futuros, bastando para isso um “T” ou “Y” e pequenas
elevatórias aproveitando o relevo da região levando agua aos pontos de
distribuição de cada lugarejo, ininterruptamente, e seu excesso sendo conduzido
a áreas mais baixas onde formará pequeno açude, e seu excesso, por sequencia
conduzido a outros pontos de estocagem. Sim, parece visionário, mas é
perfeitamente factível a formação de cascatas e riachos aproveitando os
declives rochosos das formações geológicas abundantes na região. Com a
perenidade da presença da água se formará vegetação ciliar a estes lagos
retendo umidade e gerando precipitações, literalmente irrigando a região. Ora,
uma arvore frondosa de cultura extrativista consome cerca de 300 litros de agua
por dia, mas em contrapartida fornece o fruto, a evaporação, compostagem para o
solo e a pouco citada atualmente, fotossíntese.
Os níveis de oxigenação na região são bastante
baixos gerando uma série de carências e inclusive influenciando na estatura dos
indivíduos. (CIRILO, 2011)
“Sabemos
que a chuva é um fenômeno climático que ocorre quando a água é aquecida pelo
sol ou outro processo de aquecimento, evapora e se transforma em vapor de água;
este vapor de água se mistura com o ar e, como é mais leve, começa a subir;
formam-se as nuvens carregadas de vapor de água e ao atingir altitudes elevadas
ou encontrar massas de ar frias, o vapor de água condensa, transformando-se
novamente em água; como é pesada e não consegue sustentar-se no ar, a água
acaba caindo em forma de chuva.
As nuvens
são formadas a partir da evaporação da água de rios, mares e lagos. A umidade
do ar nada mais é do que as partículas de água, em forma de vapor, que
respiramos em nosso cotidiano. Quando a umidade relativa do ar é baixa, as
condições para a saúde humana ficam prejudicadas.”
No Semiárido, o índice de umidade é baixíssimo.
O inverno é seco e a temperatura do mês mais frio é superior a 18ºC. A
temperatura média varia entre 20ºC a 38ºC, sendo outubro o mês mais quente e
julho o mais frio. As chuvas de verão ocorrem de novembro a abril, sendo março
o mês mais chuvoso e julho e agosto os mais secos.
A
chuva é o objetivo de todo este processo. Sem chuva não haverá desenvolvimento.
Sua consequência será positiva. A região precisa de vegetação, árvores e
forrageiras capazes de reter a umidade, provocar sombra e reduzir a temperatura,
desta maneira controlando a evapotranspiração e a salinidade, as duas maiores
problemáticas existentes.
Sabemos que a evapotranspiração
depende da demanda evaporativa da atmosfera, determinada por quatro componentes
meteorológicos: radiação, temperatura do ar, umidade relativa do ar e
velocidade do vento e que a produção vegetal decresce linearmente com o aumento
da salinidade do solo a partir de determinado nível de salinidade, denominado “salinidade
limiar” da cultura. Porém a dessalinização do solo via lixiviação e emprego de
culturas mais resistentes ao sal e o manejo racional da irrigação são capazes
de equacionar a evaporação com a precipitação. As nuvens reduzem a
evapotranspiração, pois fornecem sombra. (Maas e Hoffman,1977)
A salinização apresenta então o
maior desafio ao desenvolvimento da região, visto que a evapotranspiração é
condição fundamental para o desenvolvimento (chuva).
Para resolver a questão da salinização é preciso
renovação constante dos reservatórios. A oxigenação da água como praticada nos
sistemas criatórios aliada ao uso intensivo de processos
de dessalinização como a evaporação e condensação
e a filtração molecular, ou osmose reversa afim de potabilidade e reaproveitamento.
Para a destinação do rejeito algumas soluções
têm sido adotadas, como: uso de tanques com lâminas d’água delgada para
incremento da velocidade de evaporação e a consequente deposição de sais e
tratamento da lama; acumulação em tanques para a criação de peixes como tilápia
rosa e camarão marinho; cultivo de Atriplex Numulária, planta com grande
capacidade de absorção de sais, originária da Austrália e introduzida, com
sucesso, no Chile, apresentando-se como excelente forrageira, que contém entre
16 e 20 % de proteínas e tem uma sobrevida de até 20 anos (Montenegro &
Montenegro 2004).
Importante passo consiste na
iniciativa da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - e seu projeto piloto em Petrolina, onde um dessalinizador atende a 56 famílias
em uma comunidade. A comunidade produz 1 ton/ano de peixes, em tanques de 300
mil litros. A água dos tanques vai irrigar a plantação de erva-sal, sendo que
um hectare cultivado suporta 200 caprinos, durante seis meses. Com o uso da
técnica desenvolvida pela Embrapa, essa comunidade atende a sua demanda de água
potável e de alimento, além de dispor de uma fonte extra de renda.
"A
erva-sal é originária de áreas secas da Austrália. Foi introduzida no Nordeste,
onde se adaptou bem ao regime pluviométrico inconstante e de baixa precipitação
(média anual inferior a 250 mm). Além da seca, a erva-sal tolera a salinidade
do solo, por ser uma planta halófita. Os estudos da Embrapa mostraram que a
erva-sal tolera concentrações de até 36 g/l, o que equivale à salinidade das
águas oceânicas. Experimentos da Embrapa mostraram que a erva-sal pode retirar
até 1,2 ton/ha/ano de sal da água. Essas características não seriam úteis, não
fora a erva-sal uma planta com boas qualidades nutricionais, comparável à
alfafa. A erva-sal pode produzir 6 ton/ha de matéria seca, em ciclos que podem
ser inferiores há um ano. Os macro nutrientes exigidos pela planta, como
nitrogênio e fósforo, que se encontram em baixos teores nos solos nordestinos,
são fornecidos pelos excrementos dos peixes."
A destruição de ecossistemas para introdução de áreas
de pasto não pode ser mais tolerada. O semiárido, sabemos, tem como solução
para a criação animal o sistema agrossilvipastoril e o uso de biodigestores,
capazes de transformação dos dejetos em energia e adubo para a produção de
forragem e ração, compatibilizando a exploração e a diversidade biológica.
Apesar de o solo apresentar em predominância
areia e argila em sua composição existe potencial para a produção de alface,
amendoim, batata-doce, beterraba, caju, cebola, coco, couve, mandioca, milho,
entre outras culturas. Verificadas a melhor época de produção de cada cultura,
devesse favorecer a biodiversidade de culturas na produção, introduzindo
espécies frutíferas, florestais e hortícolas.
"Em termos forrageiros, apresenta espécies
como o pau-ferro, a catingueira, a canafistula, o mororó e o juazeiro que
poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos, ovinos, bovinos e
muares. Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbu e o jatobá e,
entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, o pinhão, o velame, o
marmeleiro, o angico, entre outras" (KIILL, 2005).
Conclusão
Apesar da imensidão de recursos despendidos desde o império, muito pouco
avanço ocorreu na região. As estatísticas, aferições e resultados financeiros
comprovam esta afirmativa.
Compreendemos que sem evapotranspiração não haverá amenidade climática,
restando a salinidade como maior desafio a ser encarado. A rede de baixa vazão
soluciona para sempre a questão do fornecimento de água para as comunidades
difusas e centralizadas sem onerar o recurso hídrico.
A erradicação do analfabetismo, a
implantação da Agenda21 Escolar, o incremento da graduação tecnológica e a
utilização de sistemas construtivos serão passo decisivo para o acesso a
cultura, assim como a implementação da transmissão sem fio para telefonia e
dados.
Novas tecnologias surgem a todo o momento, mas nem sempre em condições
de utilização em larga escala, como a energia solar e a turbina eólica capaz de
reter a umidade do ar produzindo água e energia simultaneamente.
Na área biológica a transgenia, a hidroponia, a biodinâmica, a
agroquímica corretiva, a agrossilvicultura, a alporquia em conjunto a outras
técnicas são capazes de acelerar e dinamizar o reflorestamento no semiárido
possibilitando atividades em condições adversas, integrando agricultura,
pecuária e floresta com ganhos na diversificação de produtos comercializáveis e
incremento da renda.
Na cultura animal, os biodigestores capazes de produzir energia e
transformar os resíduos e os avanços na criação entabulada tornarão possível a
produção animal.
A questão das pragas,
fenômeno comum a ecossistemas em transformação será desafio a ser superado.
Em médio prazo, todo aquele que possuir um “pedaço de terra” será
considerado rico. Logo haverá o declínio dos megainvestimentos. Como afirmei
anteriormente “se tornou impossível criar e manter empregos para todos” neste
mundo superpopuloso onde a tecnologia cada vez mais reduz as possiblidades de
postos de trabalho. Não se trata de um retorno a era do escambo, mas sim uma
nova abordagem na relação do individuo e a economia.
O programa Mais
Irrigação foi lançado nesta terça-feira (13/11/12), em cerimônia no Palácio do
Planalto, com o objetivo de valorizar o agricultor familiar e desenvolver a
economia regional de forma sustentável, gerar mais emprego e renda, e produzir
alimentos de qualidade em 66 áreas de 16 estados. Para a presidenta Dilma
Rousseff, o projeto terá um papel decisivo no enfrentamento à estiagem no
semiárido nordestino.
Na última semana, a
presidenta inaugurou a Adutora do Algodão, em Malhada (BA), que vai beneficiar,
em 30 anos, 300 mil pessoas. A primeira etapa da construção contou com um
investimento de cerca de R$ 157 milhões do PAC para a construção de 265
quilômetros de adutoras, estações de tratamento, elevatórias e seis
reservatórios.
REFERÊNCIAS
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Programa 2051 – Oferta de Água –
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Mapeamento da Estiagem no Semiárido Brasileiro (abril/12)
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José
Almir Cirilo estudos
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Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE
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Instituto
Nacional de Pesos e Medidas – INMETRO
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Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA
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Centro Regional de Assessoria e Capacitação – CERAC
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Ministério da Saúde – MS
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EXAGRO
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Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA
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Sistema
Integrado de Gestão Ambiental - SIGAM
Manual para Recuperação da Vegetação de Cerrado
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