quarta-feira, 26 de junho de 2013

Semiárido Brasileiro – Alternativas - Democratização da Água - por Sergio Borges

Semiárido Brasileiro – Alternativas

Democratização da Água

Resumo

Compreender o semiárido brasileiro consiste em reconhecê-lo como sócio sistema com características únicas, especificidades. Constitui-se em uma das regiões mais pobres do país em termos de recursos hídricos e, portanto, biológicos. Possui o mais baixo IDH (índice de desenvolvimento humano) do país.
Com população de 22.598.318 (IBGE/10) compreendendo 12% da população brasileira, deste total cerca de 50% afetados pela seca total e área de 969.589,4 km², equivalente ao estado de Mato Grosso ou Venezuela, abrange 1133 municípios em nove estados segundo Portaria Nº 1.181/05 assinada pelo Ministro da Integração Nacional que instituiu a Nova Delimitação do Semiárido Brasileiro.

Tal realidade exige planejamento específico, moderno e arrojado quanto ao plano social e ambiental. Dentro da nova ordem mundial já é notório que se tornou impossível criar e manter empregos para todos. Novas conceituações precisam ser descobertas e aplicadas. Sustentabilidade é a chave.

Existem diversos planos de desenvolvimento, diferentes formulações, concepções e iniciativas gerais, porém não atentas à preservação e aproveitamento da virtude do sócio sistema - Semiárido Brasileiro.

Este texto trata de uma visão estratégica apoiada nos pilares sociais, ambientais, econômicos e políticos, nesta ordem. Uma ordem econômica social sustentável e justa preservando as particularidades do sócio sistema. Um novo paradigma no que tange a auto sustentabilidade regional.

O sertanejo valoriza a vida em família, a sustentabilidade de sua pequena propriedade, razão de seu maior orgulho. Tal valorização também é comum a regiões interioranas de alto nível de desenvolvimento sócio cultural. É inerente ao “homem do campo”. Sabemos que em diversas regiões do país, notadamente na região sul, famílias cujos integrantes nunca foram empregados tem na atividade familiar rural, fabril e comercial seu sustento, com muito sucesso. Este fato é muito anterior aos modernos conceitos, decorre do maior desenvolvimento cultural destas populações constituídas notadamente por imigrantes europeus e nipônicos. Tais atividades comprovadamente causam mínimo impacto sobre o meio-ambiente não sendo necessário superexplorar o meio ou recorrer a práticas predatórias.

A atividade rural familiar não é destrutiva.



Política Atual

Na atual concepção de megaprojetos o estimulo a criação e desenvolvimento de cidades é contra a característica regional, a cultural local, além de, paradoxalmente, promover exclusão social, desmatamento, poluição, salinização e evapotranspiração, os maiores desafios ao desenvolvimento da região.
O crescimento das cidades, o aumento da pecuária e a exploração madeireira são fatores que aumentaram a fragmentação da cobertura florestal na caatinga. O avanço do desmatamento está intrinsecamente ligado a esses fatores e políticas públicas que favoreçam a educação, o desenvolvimento sustentável e uma maior conservação desse ecossistema deveriam ser priorizadas.
Estima-se que cerca de 70% da caatinga já se encontram alterados pelo homem, e somente 0,28% de sua área se encontra protegida em forma de unidades de conservação. (ARAÚJO, 2007)

O semiárido brasileiro apresenta situações mais difíceis de serem superadas do que outras regiões semiáridas do mundo. Solos rasos e rochas aflorantes comprometem a existência de aquíferos, sua renovação e qualidade; temperaturas elevadas conduzem a altas taxas de evaporação; poucos rios perenes e concentração populacional das mais altas entre os semiáridos do mundo geram pressões excessivas sobre os recursos hídricos. A região apresenta, até a década de 1990, um histórico de políticas públicas equivocadas, quando não ausentes, calcadas especialmente na implantação de pequenos reservatórios altamente vulneráveis às estiagens e perfuração de poços no cristalino cuja vazão é baixa e os processos de dessalinização são ainda caros e de complexa operação. Aliada a esses equívocos, a falta de gestão das águas foi a tônica da manutenção do quadro regional crítico a cada seca. Como forma de aliviar o sofrimento das populações desassistidas, as soluções de sempre: carros-pipa para transporte de água e frentes de trabalho. Em síntese, medidas puramente paliativas. (CIRILO, 2011)

Os programas atuais, em prática, impressionam por sua diversificação e simultaneidade. Sabemos que a natureza não dá saltos, assim como as sociedades. O processo de desenvolvimento social sempre é lento e gradual.

Desde o século 19 projetos os mais variados foram implementados sem resultado justamente por não terem como cerne o elemento principal. O ser humano e idealização social. A famosa frase do Imperador Dom Pedro II “Venderei até a ultima pedra de minha coroa para que nunca mais um nordestino morra de sede” demostra que a solução não é tanto uma questão de investimento capital, mas sim, de estratégia.

Foram idealizados modelos de desenvolvimento comuns aos grandes centros que geralmente são susceptíveis a desigualdades e inconclusão. Tais modelos trazem alienação e marginalização ao contexto social, fenômenos comuns aos superpopulosos centros industriais. O semiárido não precisa de empregos.  Empregar o capital nacional no desenvolvimento de grandes centros produtivos concentradores de renda e oportunidades, dependentes de subsídios e financiamentos que se tornam destruidores do ecossistema e geradores de mazelas sociais não é política acertada.

O “Boia-fria” continuará existindo, pois precisará se locomover até as “Frentes de Trabalho”, os grandes centros de produção sazonal. Muitos permanecerão nas áreas de maior expectativa de desenvolvimento promovendo subdesenvolvimento social, ocupação irregular e escassez de serviços públicos a exemplo o ocorrido nas capitais do sudeste e distrito federal nos anos 1960.

O modelo familiar tradicional onde apenas o chefe de família trabalha e o restante da família sobrevive de seu rendimento já é superado nas sociedades mais avançadas.

Quanto as estratégias atuais podemos concluir que os programas em curso se mostram inapropriados:
         quase nula eficiência dos sistemas de coleta de chuva, pelo simples fato que não ha chuva;
         as cisternas são paliativo, armazenam água impropria para consumo e insuficiente para manutenção de grupos familiares, e dependem dos carros pipa;
         carros pipa em sua maioria já deteriorados pelo uso contínuo;
         projetos de irrigação são caros e direcionados a grandes produtores;
         pouco incentivo a avanços tecnológicos, como a hidroponia com reaproveitamento da água, por exemplo;
         pela carência de ventos, qualquer atividade industrial de grande porte se tornará extremamente poluente;
         grandes “plantations” irrigados para produção de metanol e biodiesel e produtos para exportação;
         o planejamento parte de grandes projetos como: aquedutos, ferrovias, estradas, mineração, latifúndios, parques industriais dependentes de financiamentos e subsídios governamentais e aporte de capital estrangeiro;
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS - divulgou balanço da aplicação de recurso extraordinário liberado em abril/12 pela União demostrando que somente em 2012, até o momento foram investidos: R$ 799 milhões Construção de Cisternas (mais 290 mil até dezembro); R$ 164,4 milhões Caminhões Pipa (3360); R$ 500 milhões Plano Garantia Safra; R$ 200 milhões Bolsa Estiagem;
R$ 60 milhões Recuperação de Poços; R$ 1 bilhão Linha Crédito Emergencial; ainda não demostrado o destinado ao Programa Milho Subsidiado (CONAB);
Dentro do Regime Orçamentário da União foram ainda disponibilizados: R$ 8 bilhões Transposição do Rio São Francisco; R$ 242 milhões para Pernambuco do total de 1,8 bilhão de investimentos; O Ministério da Integração Nacional - MI vai disponibilizar R$ 1,06 bilhão em 33 empreendimentos; O Ministério das Cidades – MCidades - R$ 656,2 milhões para 22 obras; A Fundação Nacional da Saúde – Funasa - R$ 108 milhões para mais 22 obras; O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – para a Bahia (R$ 454,9 milhões), Piauí (R$ 307,5 milhões) e Pernambuco (R$ 242 milhões) em programas de prevenção da seca. Esta é a primeira parte de uma lista que prevê investimento total de R$ 3 bilhões em prevenção contra a seca. Ainda em Verbas Estaduais o Estado da Bahia R$100 milhões para diversas entidades locais.

É compreendido que a transposição do Rio São Francisco é vantajosa economicamente em relação às usinas de dessalinização, mas não houve visão estratégica quanto a realização dado as variáveis históricas comuns as grandes obras na região e em outras partes do país. Porém estes projetos como alternativa começam a causar danos em ecossistemas e a redução de fluxo em outras bacias e hidroelétricas poderá tornar crítico a geração de energia e a manutenção de sistemas produtivos como atividades pesqueiras na foz do São Francisco.
Nesta nova era de transformações e variações climáticas, a inconstância de chuvas em determinada região outrora de adequado índice pluviométrico poderá trazer graves problemas e perda de vultosos investimentos.

O programa Mais Irrigação, lançado recentemente, naturalmente tem sua dicotomia. Investimentos internacionais da ordem de R$ 10 bilhões incentivam a dependência regional através do investimento internacional em plantations para produção de biodiesel.
Investimentos na área turística também foram anunciados, porem é sabido que investimentos em turismo são o último investimento que uma nação deve fazer devido a sua sazonalidade, subsídios necessários e empréstimos de alto risco envolvidos além de expor um grupo social menos desenvolvido a outro, mais desenvolvido.



Democratização da Água

O Plano de Desenvolvimento Social do Semiárido Brasileiro deverá ter como ponto de partida seu centro regional, seu epicentro, e não a região ciliar. Tentar agregar o semiárido ás cidades trará a inconclusão de metas, tal como ocorre na periferia das grandes cidades brasileiras. Da escassez de água passaremos a escassez de uma série de outros recursos comuns aos grandes centros urbanos.

Para elaborar uma boa política, é importante que se entenda a particularidade das soluções. Não se pode imaginar que grandes canais e adutoras irão abastecer as populações rurais difusas, exceto aquelas próximas ao traçado das obras. Portanto, cisternas, pequenos reservatórios, poços, dessalinizadores devem ter seu uso ampliado e melhorado, particularmente no que tange à sua operação e manutenção. Pequenos açudes e barragens subterrâneas devem, onde for adequado, ser empregados para fomentar a agricultura familiar. A criação de mais reservatórios (açudes) e linhas de renovação constante da água e o incentivo a piscicultura nestes reservatórios é fonte importante de alimentação e renda.

Dado o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano da nação, um plano de desenvolvimento deverá partir da seguinte diretriz: educação, saúde, energia e comunidade participativa, enraizando os conceitos e valores de evolução consciente.
         erradicação do analfabetismo;
         programas de educação geral e ambiental, inclusão social e cidadania;
         programas de apoio a micro e pequenos empresários ligados a atividades artesanais; industriais e de serviços;
         programas de reforma agrária e ordenamento territorial;
         instituição do sistema construtivo modular como solução rápida para a questão da moradia e equipamentos públicos;
         viabilização de atividades econômicas dinâmicas e inovadoras geradoras de riqueza familiar através da constituição e operacionalização de serviços de assistência técnica a agricultores familiares e suas organizações;
         fomento a atividades produtivas compatíveis com o uso e formação sustentável dos recursos naturais e a preservação dos biomas;
         produtos nativos, característicos do ecossistema e portanto mais resistentes ao clima local destinados ao consumo interno;
         gradual descomprometimento da nação com programas assistenciais;

         Programas de assentamentos rurais da reforma agrária;

         Constituição de associações de usuários da água, comitês de bacias, etc.;

Quanto a questão Exportação, podemos compreender que adaptar o semiárido para a produção de culturas importadas, que demandam muito mais irrigação que as culturas nativas a fim de exportação não é politica acertada.
Os lucros sociais se darão pelo incremento do nível sócio cultural, manutenção do homem em sua origem, o retorno ao campo daqueles que procuraram os grandes centros e a desoneração do Estado em programas sociais. Apenas nos últimos dez anos mais de um milhão de pessoas deixaram de viver no semiárido procurando as grandes cidades. Esse dado reflete também que o Brasil ainda está aquém de garantir as condições necessárias para a permanência no campo, em especial no semiárido. Entre os principais elementos nesse processo está a elevada concentração de terras e de água.
Temos consciência que uma sociedade não pode se desenvolver economicamente sem que haja desenvolvimento social, propriamente dito. Assim é de se esperar a redução das taxas de morbilidade e mortalidade das populações afetadas, assim como a migração para locais com abastecimento garantido.

A carência de água para consumo humano e usos múltiplos afetam negativamente os níveis de saúde e restringe as oportunidades de melhoria socioeconômica das comunidades dos espaços geográficos onde a disponibilidade do recurso é reduzida. Esta situação, em muitos casos, é devida ao caráter temporário dos mananciais e/ou a localização das fontes, exigindo grandes esforços para acesso à quantidade mínima indispensável. Mas, paradoxalmente, em outras situações, os recursos armazenados em reservatórios nunca foram eficientemente utilizados pela inexistência de estruturas de captação, transporte e distribuição. (CIRILO, 2011)

Nos últimos anos programas governamentais como Bolsa Família e P1MC tem contribuído para a redução destes números.

Em forma prática, podemos considerar que a construção de uma rede de transporte de água não pressurizada e de baixa vazão em grandes extensões é bastante acessível e capaz de resolver definitivamente a questão de abastecimento em microrregiões. Por seu custo acessível seus pontos de coleta poderão ser distantes e variados, não onerando as bacias existentes. Sistemas de manutenção e reposição serão bastante acessíveis, dado o baixo custo modular.

O abastecimento constante dos açudes e seu tratamento ciliar assim como a criação de mais açudes serão excelente solução. Quantos proprietários estão francamente abertos à escavação de açudes assim como sua renovação constante, ininterrupta, por uma rede de baixa vazão.

Explico que uma rede de baixa vazão compreende uma tubulação simples, não pressurizada, capaz de prover 50000 litros/dia, por exemplo. Devem-se abordar soluções que venham a resolver o suprimento a comunidades difusas através de tecnologias alternativas, de baixo custo e fácil acesso da população.
Ora, se construímos o Gasoduto Brasil-Bolívia ao custo de R$ 1,270 milhão por kilometro, estrutura sofisticada e cara para transporte de gás pressurizado, podemos imediatamente construir redes de transporte de água não pressurizada em grandes extensões. Estas adutoras permitirão sistemas paralelos futuros, bastando para isso um “T” ou “Y” e pequenas elevatórias aproveitando o relevo da região levando agua aos pontos de distribuição de cada lugarejo, ininterruptamente, e seu excesso sendo conduzido a áreas mais baixas onde formará pequeno açude, e seu excesso, por sequencia conduzido a outros pontos de estocagem. Sim, parece visionário, mas é perfeitamente factível a formação de cascatas e riachos aproveitando os declives rochosos das formações geológicas abundantes na região. Com a perenidade da presença da água se formará vegetação ciliar a estes lagos retendo umidade e gerando precipitações, literalmente irrigando a região. Ora, uma arvore frondosa de cultura extrativista consome cerca de 300 litros de agua por dia, mas em contrapartida fornece o fruto, a evaporação, compostagem para o solo e a pouco citada atualmente, fotossíntese.
Os níveis de oxigenação na região são bastante baixos gerando uma série de carências e inclusive influenciando na estatura dos indivíduos. (CIRILO, 2011)

“Sabemos que a chuva é um fenômeno climático que ocorre quando a água é aquecida pelo sol ou outro processo de aquecimento, evapora e se transforma em vapor de água; este vapor de água se mistura com o ar e, como é mais leve, começa a subir; formam-se as nuvens carregadas de vapor de água e ao atingir altitudes elevadas ou encontrar massas de ar frias, o vapor de água condensa, transformando-se novamente em água; como é pesada e não consegue sustentar-se no ar, a água acaba caindo em forma de chuva.
As nuvens são formadas a partir da evaporação da água de rios, mares e lagos. A umidade do ar nada mais é do que as partículas de água, em forma de vapor, que respiramos em nosso cotidiano. Quando a umidade relativa do ar é baixa, as condições para a saúde humana ficam prejudicadas.”

No Semiárido, o índice de umidade é baixíssimo. O inverno é seco e a temperatura do mês mais frio é superior a 18ºC. A temperatura média varia entre 20ºC a 38ºC, sendo outubro o mês mais quente e julho o mais frio. As chuvas de verão ocorrem de novembro a abril, sendo março o mês mais chuvoso e julho e agosto os mais secos.

            A chuva é o objetivo de todo este processo. Sem chuva não haverá desenvolvimento. Sua consequência será positiva. A região precisa de vegetação, árvores e forrageiras capazes de reter a umidade, provocar sombra e reduzir a temperatura, desta maneira controlando a evapotranspiração e a salinidade, as duas maiores problemáticas existentes.

Sabemos que a evapotranspiração depende da demanda evaporativa da atmosfera, determinada por quatro componentes meteorológicos: radiação, temperatura do ar, umidade relativa do ar e velocidade do vento e que a produção vegetal decresce linearmente com o aumento da salinidade do solo a partir de determinado nível de salinidade, denominado “salinidade limiar” da cultura. Porém a dessalinização do solo via lixiviação e emprego de culturas mais resistentes ao sal e o manejo racional da irrigação são capazes de equacionar a evaporação com a precipitação. As nuvens reduzem a evapotranspiração, pois fornecem sombra. (Maas e Hoffman,1977)

A salinização apresenta então o maior desafio ao desenvolvimento da região, visto que a evapotranspiração é condição fundamental para o desenvolvimento (chuva).

Para resolver a questão da salinização é preciso renovação constante dos reservatórios. A oxigenação da água como praticada nos sistemas criatórios aliada ao uso intensivo de processos de dessalinização como a evaporação e condensação e a filtração molecular, ou osmose reversa afim de potabilidade e reaproveitamento.

Para a destinação do rejeito algumas soluções têm sido adotadas, como: uso de tanques com lâminas d’água delgada para incremento da velocidade de evaporação e a consequente deposição de sais e tratamento da lama; acumulação em tanques para a criação de peixes como tilápia rosa e camarão marinho; cultivo de Atriplex Numulária, planta com grande capacidade de absorção de sais, originária da Austrália e introduzida, com sucesso, no Chile, apresentando-se como excelente forrageira, que contém entre 16 e 20 % de proteínas e tem uma sobrevida de até 20 anos (Montenegro & Montenegro 2004).

Importante passo consiste na iniciativa da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - e seu projeto piloto em Petrolina, onde um dessalinizador atende a 56 famílias em uma comunidade. A comunidade produz 1 ton/ano de peixes, em tanques de 300 mil litros. A água dos tanques vai irrigar a plantação de erva-sal, sendo que um hectare cultivado suporta 200 caprinos, durante seis meses. Com o uso da técnica desenvolvida pela Embrapa, essa comunidade atende a sua demanda de água potável e de alimento, além de dispor de uma fonte extra de renda.

"A erva-sal é originária de áreas secas da Austrália. Foi introduzida no Nordeste, onde se adaptou bem ao regime pluviométrico inconstante e de baixa precipitação (média anual inferior a 250 mm). Além da seca, a erva-sal tolera a salinidade do solo, por ser uma planta halófita. Os estudos da Embrapa mostraram que a erva-sal tolera concentrações de até 36 g/l, o que equivale à salinidade das águas oceânicas. Experimentos da Embrapa mostraram que a erva-sal pode retirar até 1,2 ton/ha/ano de sal da água. Essas características não seriam úteis, não fora a erva-sal uma planta com boas qualidades nutricionais, comparável à alfafa. A erva-sal pode produzir 6 ton/ha de matéria seca, em ciclos que podem ser inferiores há um ano. Os macro nutrientes exigidos pela planta, como nitrogênio e fósforo, que se encontram em baixos teores nos solos nordestinos, são fornecidos pelos excrementos dos peixes."

A destruição de ecossistemas para introdução de áreas de pasto não pode ser mais tolerada. O semiárido, sabemos, tem como solução para a criação animal o sistema agrossilvipastoril e o uso de biodigestores, capazes de transformação dos dejetos em energia e adubo para a produção de forragem e ração, compatibilizando a exploração e a diversidade biológica.

Apesar de o solo apresentar em predominância areia e argila em sua composição existe potencial para a produção de alface, amendoim, batata-doce, beterraba, caju, cebola, coco, couve, mandioca, milho, entre outras culturas. Verificadas a melhor época de produção de cada cultura, devesse favorecer a biodiversidade de culturas na produção, introduzindo espécies frutíferas, florestais e hortícolas.

"Em termos forrageiros, apresenta espécies como o pau-ferro, a catingueira, a canafistula, o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos, ovinos, bovinos e muares. Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbu e o jatobá e, entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, o pinhão, o velame, o marmeleiro, o angico, entre outras" (KIILL, 2005).




Conclusão
         Apesar da imensidão de recursos despendidos desde o império, muito pouco avanço ocorreu na região. As estatísticas, aferições e resultados financeiros comprovam esta afirmativa.
         Compreendemos que sem evapotranspiração não haverá amenidade climática, restando a salinidade como maior desafio a ser encarado. A rede de baixa vazão soluciona para sempre a questão do fornecimento de água para as comunidades difusas e centralizadas sem onerar o recurso hídrico.
            A erradicação do analfabetismo, a implantação da Agenda21 Escolar, o incremento da graduação tecnológica e a utilização de sistemas construtivos serão passo decisivo para o acesso a cultura, assim como a implementação da transmissão sem fio para telefonia e dados.
Novas tecnologias surgem a todo o momento, mas nem sempre em condições de utilização em larga escala, como a energia solar e a turbina eólica capaz de reter a umidade do ar produzindo água e energia simultaneamente.
Na área biológica a transgenia, a hidroponia, a biodinâmica, a agroquímica corretiva, a agrossilvicultura, a alporquia em conjunto a outras técnicas são capazes de acelerar e dinamizar o reflorestamento no semiárido possibilitando atividades em condições adversas, integrando agricultura, pecuária e floresta com ganhos na diversificação de produtos comercializáveis e incremento da renda.
Na cultura animal, os biodigestores capazes de produzir energia e transformar os resíduos e os avanços na criação entabulada tornarão possível a produção animal.
A questão das pragas, fenômeno comum a ecossistemas em transformação será desafio a ser superado.
Em médio prazo, todo aquele que possuir um “pedaço de terra” será considerado rico. Logo haverá o declínio dos megainvestimentos. Como afirmei anteriormente “se tornou impossível criar e manter empregos para todos” neste mundo superpopuloso onde a tecnologia cada vez mais reduz as possiblidades de postos de trabalho. Não se trata de um retorno a era do escambo, mas sim uma nova abordagem na relação do individuo e a economia.


O programa Mais Irrigação foi lançado nesta terça-feira (13/11/12), em cerimônia no Palácio do Planalto, com o objetivo de valorizar o agricultor familiar e desenvolver a economia regional de forma sustentável, gerar mais emprego e renda, e produzir alimentos de qualidade em 66 áreas de 16 estados. Para a presidenta Dilma Rousseff, o projeto terá um papel decisivo no enfrentamento à estiagem no semiárido nordestino.
Na última semana, a presidenta inaugurou a Adutora do Algodão, em Malhada (BA), que vai beneficiar, em 30 anos, 300 mil pessoas. A primeira etapa da construção contou com um investimento de cerca de R$ 157 milhões do PAC para a construção de 265 quilômetros de adutoras, estações de tratamento, elevatórias e seis reservatórios.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

·         Ministério da Integração Nacional - MIN
Plano Plurianual 2012 – 2015
Programa 2051 – Oferta de Água – Contextualização
Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido - PDSA 2005
Cartilha Nova Delimitação do Semiárido

·         Instituto Nacional do Semiárido – INSA
Sinopse do Censo Demográfico para o Semiárido Brasileiro (jun/12)
Mapeamento da Estiagem no Semiárido Brasileiro (abril/12)

·         Jornal Bahia Já

·         Articulação do Semiárido - ASA
Região Semiárida Oficial - Lei Federal n. 7.827, (27/09/89)

·         Lei n.9.433/1997, Lei das Águas

·         Políticas públicas de recursos hídricos para o semiárido
      José Almir Cirilo estudos avançados 22 (63), 2008
·         Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome – MDS
Desenvolvimento Sustentável e Convivência com o Semiárido (03/11/12)
Programa Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC)

·         Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE

·         Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE

·         Instituto Nacional de Pesos e Medidas – INMETRO

·         www.brasil.gov.br
Notícias

·         Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA

·         Centro Regional de Assessoria e Capacitação – CERAC

·         Ministério da Saúde – MS
Alimentos regionais brasileiros 2002
 
·         EXAGRO
sistema agrosilvipastoril

·         Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA

·         Sistema Integrado de Gestão Ambiental - SIGAM
Manual para Recuperação da Vegetação de Cerrado
 HYPERLINK "http://www.brasil.gov.br/secasemiarido?utm_campaign=Campanha.Seca&utm_medium=&utm_source=Home&utm_content=Banner.Randomico"
·         www.arvores.brasil.nom.br
Informações Sobre Arvores Nativas Brasileiras


·         www.semiarido.org.br
Portal de monitoramento, informação e educação sobre o Semiárido Brasileiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário