Revista
britânica chama Senado de 'casa de horrores'
09
de julho de 2009 | 19h 22
A longa lista de
escândalos do Senado brasileiro chegou às páginas da revista britânica "The
Economist", uma das mais conceituadas do mundo. Com o sugestivo título de "Casa
de Horrores", a publicação relembra o escândalo dos atos secretos, a residência
de R$ 4 milhões omitida pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), da
Justiça Eleitoral, os negócios de crédito consignado de seu neto José Adriano
Sarney, dentro do Senado, - todos revelados pelo jornal O Estado de S.
Paulo -, além da farra das passagens aéreas e o castelo de R$ 5 milhões não
declarado à Receita Federal pelo ex-diretor Agaciel Maia.
Com o irônico subtítulo
"O que os parlamentares britânicos podem aprender com os senadores brasileiros"
- por conta de recentes escândalos na Inglaterra em que deputados foram pegos
usando dinheiro público para pagar contas particulares - a reportagem começa
lembrando outros detalhes da vida no Senado com que os brasileiros já estão
acostumados: 10 mil servidores para tomar conta de apenas 81 senadores, plano de
saúde gratuito e vitalício para os parlamentares, auxílios-moradia generosos.
"Um ex-servidor conta que seus colegas costumam dizer que o Senado era como uma
mãe para eles. Outros o comparam a um clube", diz a
revista.
A "The Economist" conta,
ainda, que senadores de todos os espectros políticos estão envolvidos, citando o
caso de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que teve uma conta de seu hotel em Paris paga
por Agaciel Maia. Sarney, na reportagem, é apontado como um "sobrevivente" e o
prognóstico da revista é de que ele deverá manter a cadeira de presidente do
Senado, lembrando a defesa do senador feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e seu interesse em manter o PMDB como aliado.
"Em um período em que a
economia apenas começa a ressurgir de uma recessão, a saga dos atos secretos
lembra aos brasileiros que seus políticos nunca impõem austeridade a eles
mesmos. Também por relembrar os defeitos de alguns aliados de Lula e sua
disposição para fechar os olhos a escândalos quando isso lhe serve", finaliza a
"The Economist".
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