sábado, 15 de junho de 2013

A COMISSÃO DAS BATATAS por Haroldo Amorim Cel R/1

A COMISSÃO DAS BATATAS        
            É fato que a Comissão da Verdade  opera com todo  vigor. É fato que vai chafurdar no vazio,  afinal quem vive da mentira tem muita dificuldade para encontrar a verdade. É verdade que há outras  intenções : polemizar,  servir como diapasão das mazelas governamentais camuflando  escândalos, indenizar sem fim e empregar os seus membros, notáveis democratas. Não  dá para entender tanta polêmica,  pois  a Lei da Anistia sabiamente surgiu para apaziguar a nação.
           Os militares deveriam sim instalar outra comissão da verdade, interna, intestina,  para apurar os mentores da MP 2215-10, de 2001. Seria uma  comissão peculiar, especial, composta por sargentos e oficiais formados nos idos de 1978/1979 em diante, os prejudicados pela medida. Alguns ocupam altos cargos atualmente, tem  influência - poder ainda não - para nomear os escolhidos que  investigarão os responsáveis pela MP que subtraiu o tempo de serviço e o posto subsequente, compensações consagradas na caserna.  Como afirmam os  democratas da comissão de cima, não é para sancionar ninguém é só  para saber quem   aquiesceu ao negociar,  mas  tinha os  “seus” assegurados e depois apareceu com a  desculpa esfarrapada de que “era melhor perder agora pra ganhar depois”,  pelo menos  foi assim que  a  notícia correu à época nos quartéis. Que nome se dá a isso? Essa é a primeira verdade a ser desvendada. Devem discutir também a veracidade da argumentação burocrática da “expectativa do direito”, argumento jurídico simplista, primário, oportunista e desleal porque  ao ingressar na força  o cidadão selou um contrato moral  com o empregador, empenhando a própria vida e  sabendo pela empresa o que havia de  bom e de ruim na empreitada. As obrigações peculiares continuaram, mas os parcos benefícios  que hoje fazem uma considerável  diferença  foram surrupiados. 
         Chegar a  general ou mesmo a subtenente é uma penosa caminhada.  Aceitar vilipêndios  é negar uma trajetória, é negar o mérito, o esforço, é aceitar acreditando no “perder agora pra ganhar depois”  que um menudo  recém admitido num emprego público ganhe R$ 17.000,00 para conferir  caixa de tomate ou de farinha nas aduanas do Brasil, e depois lavrar um “ auto de infração”.  A MP2215 foi um  vilipêndio , pois o argumento do  “recuperar depois” já dura 12 anos, sem resultados, sem nada. Isso empurra  ladeira abaixo  o  espírito de corpo,  uma vez que se convive  com  duas  categorias de militares nas forças armadas: os remunerados pela  legislação anterior e os prejudicados pela  MP ainda não votada. Idênticas carreiras, semelhantes  trajetórias , mas  realidades salariais distintas nos mesmos  postos e graduações, fruto da conversa fiada  de assessor carreirista  que achou  que  “expectativa do direito” significava  mudar as regras do jogo no meio da partida, que o papel aceita tudo  e que nada como uma sexta-feira para soltar uma maldade no diário oficial.
        Absorver mentiras e provocações em nome de uma disciplina  conveniente  sem mandar calar a boca  é papo saudosista, é gastar pólvora racionada em chimango, é  fazer o papel de milícia  brancaleone,  sem botas e sem armas.  Antes de comprar   jipe  ou fuzil  deve-se  olhar o homem, ver como  está , como anda a sua família,  porque sem ele  o canhão não atira, a corveta não navega e o caça não decola. É por isso que muitos dos nossos estão indo embora, preferindo ganhar melhor contando sacos de batatas na fronteira.
                                                                                                                                                                                                                                             Haroldo Amorim   Cel R/1  











Um comentário:

  1. Prezado Amorim estou contigo e não abro.
    Tenho acompanhado teus comentários e isto é uma grande verdade.
    Se valeram da nossa confiança nos chefes para nos empurrar no abismo que já dura doze anos.
    O pior é que não se pode nem entrar com ação na justiça pois a lei ainda não foi votada.
    Um forte abraço(tarzan)

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