A
COMISSÃO DAS BATATAS
É fato que
a Comissão da Verdade opera com todo vigor. É fato que vai chafurdar no
vazio, afinal quem vive da mentira tem muita dificuldade para encontrar a
verdade. É verdade que há outras intenções : polemizar, servir como diapasão
das mazelas governamentais camuflando escândalos, indenizar sem fim e empregar
os seus membros, notáveis democratas. Não dá para entender tanta polêmica,
pois a Lei da Anistia sabiamente surgiu para apaziguar a nação.
Os militares deveriam sim instalar outra comissão da verdade, interna,
intestina, para apurar os mentores da MP 2215-10, de 2001. Seria uma comissão
peculiar, especial, composta por sargentos e oficiais formados nos idos de
1978/1979 em diante, os prejudicados pela medida. Alguns ocupam altos cargos
atualmente, tem influência - poder ainda não - para nomear os escolhidos que
investigarão os responsáveis pela MP que subtraiu o tempo de serviço e o posto
subsequente, compensações consagradas na caserna. Como afirmam os democratas
da comissão de cima, não é para sancionar ninguém é só para saber quem
aquiesceu ao negociar, mas tinha os “seus” assegurados e depois apareceu com
a desculpa esfarrapada de que “era melhor perder agora pra ganhar depois”,
pelo menos foi assim que a notícia correu à época nos quartéis. Que nome se
dá a isso? Essa é a primeira verdade a ser desvendada. Devem discutir também a
veracidade da argumentação burocrática da “expectativa do direito”, argumento
jurídico simplista, primário, oportunista e desleal porque ao ingressar na
força o cidadão selou um contrato moral com o empregador, empenhando a própria
vida e sabendo pela empresa o que havia de bom e de ruim na empreitada. As
obrigações peculiares continuaram, mas os parcos benefícios que hoje fazem uma
considerável diferença foram surrupiados.
Chegar a general ou mesmo a subtenente é uma penosa caminhada. Aceitar
vilipêndios é negar uma trajetória, é negar o mérito, o esforço, é aceitar
acreditando no “perder agora pra ganhar depois” que um menudo recém admitido
num emprego público ganhe R$ 17.000,00 para conferir caixa de tomate ou de
farinha nas aduanas do Brasil, e depois lavrar um “ auto de infração”. A MP2215
foi um vilipêndio , pois o argumento do “recuperar depois” já dura 12 anos,
sem resultados, sem nada. Isso empurra ladeira abaixo o espírito de corpo,
uma vez que se convive com duas categorias de militares nas forças armadas:
os remunerados pela legislação anterior e os prejudicados pela MP ainda não
votada. Idênticas carreiras, semelhantes trajetórias , mas realidades
salariais distintas nos mesmos postos e graduações, fruto da conversa fiada de
assessor carreirista que achou que “expectativa do direito” significava
mudar as regras do jogo no meio da partida, que o papel aceita tudo e que nada
como uma sexta-feira para soltar uma maldade no diário oficial.
Absorver mentiras e provocações em nome de uma disciplina conveniente sem
mandar calar a boca é papo saudosista, é gastar pólvora racionada em chimango,
é fazer o papel de milícia brancaleone, sem botas e sem armas. Antes de
comprar jipe ou fuzil deve-se olhar o homem, ver como está , como anda a
sua família, porque sem ele o canhão não atira, a corveta não navega e o caça
não decola. É por isso que muitos dos nossos estão indo embora, preferindo
ganhar melhor contando sacos de batatas na fronteira.
Haroldo Amorim Cel R/1
Haroldo Amorim Cel R/1
Prezado Amorim estou contigo e não abro.
ResponderExcluirTenho acompanhado teus comentários e isto é uma grande verdade.
Se valeram da nossa confiança nos chefes para nos empurrar no abismo que já dura doze anos.
O pior é que não se pode nem entrar com ação na justiça pois a lei ainda não foi votada.
Um forte abraço(tarzan)